domingo, 8 de janeiro de 2006

A espuma das noites

O que sobra dos dias, a espuma das noites. Que afinal, é o que sobra das noites também. Espuma de sentidos, de expectativas frustadas, da diversão que nunca é tão intensa como se vê nos filmes.
Espuma que resulta da vontade de fazer muito e da inibição recalcada que não desaparece e que nos faz fazer pouco. Nada.
A espuma que borbulha e cresce e nos faz acreditar que pode ser hoje. Mas é sempre amanhã. Ou depois.
Relaxar, descontrair, deixar que a espuma nos envolva e leve com ela até ao ponto sem retorno, onde tudo pode acontecer. Quase tocar, alcançar e... voltar atrás. Controlo. Sempre o controlo. Maldita educação que não nos larga e nos persegue, nos castra e nos impede de ser loucos.
Soltar a loucura, seguir a espuma, derramarmo-nos pela cidade na noite que nos embriaga. Tudo.
Libertar tudo, rir, falar, dançar. Tudo sem limites até ao fim da espuma. A espuma que não acaba. Que recomeça na noite seguinte.

Sem comentários: